Seminário Treze de Maio: Reflexões sobre escravidão e pós-abolição na Bahia

Silvana Andrade

O Seminário Treze de Maio propõe ampliar o debate sobre o pós-abolição, com foco nas transformações nas relações de trabalho e nas desigualdades estruturais que envolvem raça, gênero, classe e território. Organizado por discentes do mestrado em História da UEFS, o evento reunirá pesquisadores de instituições baianas em duas mesas de discussão. A atividade será realizada no auditório do programa e é gratuita, aberta a toda a comunidade.

O 13 de maio de 1888, data oficialmente marcada pela abolição da escravidão no Brasil, será tema de reflexão crítica em um seminário promovido por discentes do mestrado em História da Universidade Estadual de Feira de Santana. A proposta do encontro é questionar a narrativa tradicional que apresenta a abolição como um processo concluído e centrado na figura de Princesa Isabel, destacando, em contrapartida, seu caráter incompleto e suas consequências sociais duradouras.

De acordo com a organização, a abolição deve ser compreendida como um processo histórico mais amplo, que envolveu a resistência de pessoas escravizadas e a atuação de movimentos abolicionistas. Apesar do fim legal da escravidão, a ausência de políticas de inclusão deixou a população negra à margem da sociedade, sem acesso a direitos básicos como terra, educação e trabalho digno — cenário que contribuiu para a manutenção de desigualdades estruturais até os dias atuais.

Com o objetivo de aprofundar esse debate, o Seminário Treze de Maio pretende discutir temas como a transição da mão de obra escravizada para o trabalho livre, a memória da escravidão e as relações interseccionais que envolvem raça, gênero, classe e território. A iniciativa integra atividades acadêmicas das disciplinas de Metodologia da Pesquisa em História e Tópicos em Escravidão, Cultura e Trabalho.

A programação contará com duas mesas de debate, reunindo pesquisadores de instituições baianas. Pela manhã, às 9h, a primeira mesa abordará a transição de mão de obra e o pós-abolição, com participação de Edinelia Maria Oliveira Souza, Carlos Francisco da Silva Junior e Sílvio Humberto dos Passos Cunha, sob mediação de Elicassiane de Freitas Santos.

No período da tarde, às 14h, a segunda mesa discutirá escravidão, pós-abolição e interseccionalidade, com palestras de Alanna Perônio, Miléia dos Santos Almeida e Rui Marcos de Moura Lima. A mediação será realizada por Juan Bacelar da Cruz.

O evento acontecerá no auditório do Mestrado em História da UEFS, com entrada gratuita e aberta ao público. A expectativa é reunir estudantes, pesquisadores e a comunidade em geral para ampliar o debate sobre os desafios históricos contemporâneos da população afrodescendente no Brasil.

 

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