Curso de extensão sobre cor, luz e percepção integra arte, ciência e experimentação na UEFS

Suzi Maria Carvalho Mariño

Curso de extensão promovido pela UEFS reuniu participantes de diversas áreas em uma formação interdisciplinar que articulou arte, ciência e experimentação. Com foco na relação entre cor, luz e percepção, a iniciativa combinou fundamentos teóricos e práticas artísticas, explorando como elementos visuais influenciam emoções, cognição e a experiência dos ambientes. A atividade destacou-se pelo impacto formativo, alto nível de satisfação dos participantes e pela contribuição para aproximar universidade e sociedade.

O Programa de Pós-Graduação em Desenho, Cultura e Interatividade da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) promoveu o curso de extensão “Cor, luz e percepção: estudo teórico e experimentação aplicada”, reunindo arte, ciência e práticas experimentais em uma proposta formativa interdisciplinar. A atividade foi coordenada pela professora Suzi Maria Carvalho Mariño e ministrada em parceria com a professora Fernanda Alves Sales.

Integrando as ações de extensão universitária da pós-graduação, o curso foi realizado de forma presencial, com três turmas de 20 horas cada, totalizando 60 horas de formação. Ao todo, 90 participantes foram atendidos, entre estudantes de graduação e pós-graduação, professores, artistas, designers e profissionais da área da saúde. A diversidade do público contribuiu para ampliar o diálogo entre arte, design, educação e percepção ambiental.

A proposta pedagógica partiu da compreensão de que cor e luz são fenômenos psicofisiológicos complexos, capazes de influenciar a percepção, as emoções e a experiência estética. Com base nisso, o curso articulou fundamentos teóricos — como percepção cromática, iluminação natural e artificial e psicodinâmica das cores — a práticas artísticas experimentais.

Durante as atividades, os participantes desenvolveram experimentações com técnicas como colagem e monotipia, explorando esquemas cromáticos, relações entre pigmento e luz e os efeitos perceptivos gerados por diferentes condições de iluminação. As práticas evidenciaram como variações de temperatura de cor, intensidade luminosa e contraste podem transformar a percepção visual e a atmosfera estética das composições.

A metodologia adotada combinou aulas dialogadas, estudos teóricos orientados, dinâmicas perceptivas e práticas coletivas de criação, culminando na apresentação dos trabalhos produzidos. A proposta buscou estimular a reflexão crítica, a autonomia criativa e a troca de experiências entre os participantes.

Os resultados das avaliações indicaram alto nível de satisfação, com predominância de notas máximas em critérios como qualidade da docência, clareza do material didático, integração entre teoria e prática e relevância do conteúdo para a atuação profissional. Nos relatos qualitativos, os participantes destacaram a clareza das professoras, a organização do curso e o impacto formativo da experiência, frequentemente descrita como inspiradora e transformadora.

Muitos participantes afirmaram a intenção de aplicar os conhecimentos adquiridos em contextos educacionais, práticas artísticas e projetos culturais, ampliando o alcance social da ação extensionista. Os resultados reforçam o papel da extensão universitária como espaço de formação interdisciplinar e sensível, fortalecendo a relação entre universidade e sociedade.

Segundo a professora Suzi Mariño, a proposta do curso também buscou discutir como processos emocionais e cognitivos influenciam a maneira como as pessoas percebem e organizam os ambientes. “Os ambientes não são neutros. Eles interferem diretamente na atenção, no comportamento, na sensação de controle e no bem-estar. Compreender essa relação é fundamental para pensar espaços mais saudáveis e funcionais”, destaca.

Os dados de inscrição apontaram predominância de participantes de Salvador, seguida por Feira de Santana, além de inscritos de outras cidades da Bahia e de estados como São Paulo e Rio de Janeiro. A diversidade também se refletiu nos níveis de escolaridade, abrangendo desde estudantes universitários até profissionais com formação em nível de mestrado e doutorado.

Entre os temas abordados, destacaram-se emoções básicas, processos cognitivos, territorialidade, privacidade, personalização do espaço e os impactos da desordem ambiental na clareza mental e na tomada de decisão. “A organização dos ambientes pode favorecer tranquilidade, foco e segurança emocional, enquanto espaços desorganizados tendem a gerar sobrecarga cognitiva e dispersão”, conclui a professora.

Rolar para cima