Ações de extensão do PPGM da UEFS unem ciência, educação ambiental e conhecimentos tradicionais em projetos desenvolvidos com comunidades de Feira de Santana e da Chapada Diamantina.

As ações de extensão do Programa de Pós-Graduação em Modelagem em Ciências da Terra e do Ambiente (PPGM) da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) promovem a integração entre ciência, educação ambiental e conhecimentos tradicionais, fortalecendo o diálogo entre a universidade e a sociedade. Desenvolvidos em parceria com comunidades de Feira de Santana e da Chapada Diamantina, os projetos valorizam os saberes locais, estimulam a construção coletiva do conhecimento e contribuem para a conservação ambiental, a formação cidadã e o desenvolvimento sustentável dos territórios envolvidos.

Quando a pesquisa encontra a comunidade, o conhecimento ganha novos caminhos

Ações de extensão do PPGM da UEFS unem ciência, educação ambiental e conhecimentos tradicionais em projetos desenvolvidos com comunidades de Feira de Santana e da Chapada Diamantina.

Quando a pesquisa deixa os laboratórios e as salas de aula para dialogar diretamente com a sociedade, o conhecimento ganha novos significados. No Programa de Pós-Graduação em Modelagem e Ciência da Terra (PPGM) da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), essa aproximação acontece por meio da extensão universitária, que vem fortalecendo a troca de saberes entre pesquisadores e comunidades e ampliando o impacto social das pesquisas desenvolvidas no programa.

Consolidado como um programa que articula ciência, dados, tecnologia e cidadania, o PPGM tem impulsionado, nos últimos anos, ações extensionistas que incluem consultorias, cursos, projetos e atividades educativas. A proposta é estabelecer uma relação dialógica entre universidade e sociedade, reconhecendo que a construção do conhecimento acontece de forma coletiva.

Essa concepção é resumida pelo professor doutor Willian Aguiar ao afirmar que "as pesquisas não são realizadas pelo 'Programa' e as pessoas, mas realizadas com as pessoas, compreendendo os interlocutores como construtores do conhecimento". Segundo ele, essa perspectiva faz com que as atividades extensionistas passem a integrar o próprio processo de formação na pós-graduação.

Entre as iniciativas desenvolvidas pelo programa está o projeto Práticas Ambientais Educativas nas Comunidades das Nascentes do Rio Subaé – Feira de Santana/BA, coordenado pelo professor Willian Aguiar e executado pela doutoranda Alane Kelly Nunes de Oliveira. A proposta busca aprofundar, junto às comunidades de Feira de Santana, a compreensão sobre o papel das lagoas periurbanas na mitigação dos impactos da crise ambiental na região. Para isso, o projeto reúne diferentes ações extensionistas, como uma exposição itinerante com fotografias das 32 lagoas periurbanas que ainda resistem à pressão urbana, oficinas em cinco escolas de ensino fundamental II, visitas de campo orientadas por um guia elaborado pela equipe, além de palestras, minicursos e jogos interativos. As atividades promovem a popularização do conhecimento e estimulam a reflexão sobre a preservação e o manejo desses importantes ecossistemas.

Foto: Visita guiada à exposição das fotografias das 32 lagoas periurbanas de Feira de Santana-BA. Guia de campo para visita dos estudantes às lagoas de Feira de Santana-BA.

Outro destaque é o projeto Crise Climática e Educação Agroecológica em Quilombos: ancestralidade e resiliência, coordenado pela professora Deorgia Souza e desenvolvido no município de Bonito, na Chapada Diamantina, onde estão localizadas 18 comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares. A iniciativa parte da compreensão de que essas comunidades vivenciam de forma direta os impactos das mudanças climáticas e busca produzir conhecimento que contribua para o enfrentamento desse cenário. Para isso, utiliza ferramentas de Sensoriamento Remoto e Sistemas de Informações Geográficas (SIG) para mapear indicadores de conservação e degradação ambiental, como estoque e fluxo de carbono, uso e cobertura da terra, vegetação secundária, queimadas, desmatamento, disponibilidade hídrica, qualidade das pastagens e histórico climático. O projeto também prevê experimentos agronômicos em áreas de produção das comunidades quilombolas, com o uso de remineralizadores de solo, além da realização de oficinas em comunidades rurais e atividades educativas em escolas, promovendo o diálogo entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais. Como resultado, a iniciativa busca contribuir para a recuperação ambiental e para o fortalecimento da sustentabilidade da agricultura familiar nas comunidades participantes.


Foto:: Equipe que compõe o Projeto de extensão Práticas Ambientais Educativas nas Comunidades das Nascentes do Rio Subaé - Feira de Santana/BA.

As duas iniciativas reforçam o caráter extensionista do PPGM e evidenciam a contribuição da pós-graduação para além da produção científica. Com a perspectiva de ampliar esse trabalho por meio do credenciamento de novos docentes com experiência em extensão universitária, o programa busca aprofundar, cada vez mais, o papel social da universidade, promovendo o reconhecimento de diferentes saberes e contribuindo para o desenvolvimento regional e territorial.

Fonte: Texto Entre a Pesquisa e a Extensão: práticas extensionistas no PPGM, de Willian Aguiar / com colaboração de Claudenilson Dias

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